Os benefícios da atividade física para a qualidade de vida dos idosos em um clube de terceira idade na cidade de Porteirinha, MG

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Os benefícios da atividade física para a qualidade de vida dos  idosos em um clube de terceira idade na cidade de Porteirinha, MG acadhemia.blogspot.com - 846 dias atrás



Honra-se a velhice, mas ela não é amada. Diderot
Introdução
    Todo ser humano passa por um processo de vida natural que costuma ser dividido em três fases: a fase de crescimento e desenvolvimento; a fase reprodutiva e a senescência ou envelhecimento. A primeira fase compreende-se como a fase na qual ocorrem o desenvolvimento e crescimento dos órgãos especializados, e assim, o organismo vai crescendo e adquirindo capacidades funcionais, tornando-o apto a se reproduzir. A segunda fase é caracterizada pela época de reprodução do indivíduo; e a terceira fase, a senescência, é caracterizada pelo declínio da capacidade funcional do organismo (CANCELA, 2007).    Sob o termo diferencial, considera-se os aspectos sobre os quais o envelhecimento influencia na vida do homem, que são os aspectos biológico, psicológico e sociológico. O aspecto biológico liga-se ao envelhecimento orgânico, à diminuição da capacidade do funcionamento dos órgãos. O aspecto social se refere à capacidade de sociabilidade, da sua ocupação como membro efetivo na sociedade. E o aspecto psicológico refere-se às competências comportamentais que o homem deve exercer; tem estreita ligação com a inteligência e memória humana (FILHO, 2005).    Nesse sentido a velhice é uma etapa vital que, atualmente vem sendo prolongada, chegando a durar muitos anos, mas as limitações interferem na qualidade de vida do idoso em frente a alguns desafios, como a perda das capacidades orgânicas e, portanto, com as dificuldades para enfrentar tarefas da rotina do dia-a-dia. O indivíduo perde massa magra ou a massa livre de gordura, o que causa redução da taxa metabólica basal. Entre os 50 e 60 anos, segundo Rahal et al. (2007) essa perda chega a 30% da força muscular, o que provoca um maior índice de fadiga, a diminuição da mobilidade articular, do equilíbrio e coordenação motora, o que aumenta a possibilidade de quedas. Sendo assim, são pessoas com necessidades específicas que visam manter estável o funcionamento do corpo.    O crescimento da população idosa é um processo que ocorre em diversos países, incluso o Brasil, no qual o último censo (2007) registra um percentual de 8,6% da população total. Tem-se ainda uma projeção de cerca de 30,9 milhões de indivíduos que terão mais de 60 anos de idade para o ano de 2020. Paralelamente a isto, são conhecidos, bem difundidos e documentados os benefícios decorrentes da prática regular de atividade física para este grupo etário e social.    Segundo Rahal et aI (2007, p. 86), “é importante ressaltar que exercícios físicos não se restringem a uma série de exercícios semelhantes aos da academia ou à prática de atividades esportivas”. Estão enquadradas aí também, atividades de lazer, como: dançar, andar de bicicleta, atividades laborais como jardinagem, passeio com cachorro. Qualquer atividade deve ser constante e prazerosa, gradual para diminuir riscos, auxiliar prováveis tratamentos, promover a motivação e satisfação. Com isso, pode-se chegar aos objetivos esperados associados à redução na incidência de doenças crônicas-degenerativas e maior potencial de reabilitação. De acordo, ainda com o mesmo autor, “a atividade física pode ser considerada um remédio para diversas disfunções do indivíduo” (RAHAL et al, 2007, p. 87).


    A Atividade Física regular e orientada é reconhecida como fator geral na preservação da saúde e na prevenção e controle de doenças de grande expressão na atualidade. Em virtude desses aspectos, acredita-se que a participação do idoso em programas de exercícios físico regular poderá influenciar no processo de envelhecimento, com impacto sobre a qualidade e expectativa de vida, melhora das funções orgânicas, garantia de maior independência pessoal e um efeito benéfico no controle, tratamento e prevenção das doenças, contribuindo também para que os músculos se conservem fortes, alongados, em equilíbrio, e para que as articulações se mantenham íntegras, preservando o arco de movimento completo.    Entende-se por qualidade de vida as sensações subjetivas de sentir-se bem, inseridas em um sistema de valores, com perspectivas que variam individualmente (VELARDE-JURADO; AVILA FIGUEROA, 2002). Kolowsky (2004) conceitua a qualidade de vida como o grau de satisfação do indivíduo com a vida, e durante o trabalho o autor aborda a atividade física através da prescrição, avaliação e resultados biológicos.    Segundo Assis e Araújo (2004), os exercícios são importantes para manter o idoso ativo e aumentar sua disposição para as atividades do dia-a-dia. Sua prática regular possibilita a prevenção de quedas, favorece a autoestima, contribui para a alimentação da ansiedade e o controle da depressão e faz com que o idoso aprenda a conhecer melhor o seu corpo e suas funções. Devemos sempre estar cientes de que uma velhice tranquila é o somatório de tudo quanto que beneficia o organismo, como por exemplo, exercícios físicos, alimentação saudável, espaço para lazer, bom relacionamento familiar, enfim, é preciso investir numa melhor qualidade de vida (TAKAHASKI, 2004). Com isso, este estudo buscou identificar a qualidade de vida e a longevidade, pela prática de atividade física. Esta prática, que traz grandes benefícios para a 3ª idade, nunca é tarde para começar.    O sedentarismo carrega consigo o mal das doenças hipocinéticas e suas repercussões em todos os sistemas e funções do organismo, como o aumento da freqüência cardíaca de repouso e a conseqüente diminuição da área de reserva funcional; o aumento da massa gorda, que além da sobrecarga do sistema músculo esquelético, está ligada ao aparecimento de doenças degenerativas em idosos, como por exemplo, o diabetes tipo II, artrose, hipertensão, arteriosclerose, doenças respiratórias, artrite e dor crônica (RAHAL et aI., 2007).    O presente trabalho tem com objetivo identificar os benefícios da Atividade Física para a qualidade de vida dos idosos de um Clube de Terceira Idade Reviver de Porteirinha/MG. Como objetivos específicos, busca-se reconhecer as mudanças físicas, psicológicas e sociais que acontecem com o processo de envelhecimento; descrever os benefícios da Atividade Física para o idoso e analisar as atividades físicas praticadas pelos idosos de um Clube de Terceira Idade Reviver de Porteirinha/MG e sua relação com a qualidade de vida. Entendendo alguns conceitos    Segundo Filho (2005), o envelhecimento não é um estado, mas sim um processo de degradação progressiva e diferencial. Sob o termo diferencial, consideram-se os aspectos sobre os quais o envelhecimento influencia na vida do homem, que são os aspectos biológico, psicológico e sociológico. O aspecto biológico liga-se ao envelhecimento orgânico, à diminuição da capacidade do funcionamento dos órgãos. O aspecto social se refere à capacidade de sociabilidade, da sua ocupação como membro efetivo na sociedade, e, o aspecto psicológico refere-se às competências comportamentais que o homem deve exercer e tem estreita ligação com a inteligência e memória humana.    Silva (2005, p. 02) “afirma que diante destes aspectos, a classificação de ser humano como idoso ou não deve considerar uma série de fatores que vão além da idade cronológica do indivíduo”, embora essa tenha sido adotada de forma massiva e quase como exclusiva nas discussões sobre o envelhecimento. Vale ressaltar que, ao se analisar um indivíduo, não necessariamente suas idades biológica, social e psicológica vão se coincidir.    Segundo Silva (2005), no Brasil, considera-se idoso, as pessoas que completam 60 (sessenta) anos, faixa etária definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, mas ainda segundo Silva (2005, p.02), “é importante ressaltar que, nesta faixa etária definida, a velhice possui diversas faces, sobretudo, resultantes da desigualdade social do país”.    A idade biológica, referente aos aspectos biológicos e físicos, ocorre de maneira diferenciada, sendo um dos motivos a já mencionada, desigualdade social, em que as condições de vida podem condicionar ou não um melhor funcionamento ou conservação do corpo humano (SILVA, 2005). A idade psicológica relaciona-se às transformações cognitivas e afetivas que acontecem com o tempo. Na senescência ou envelhecimento, o potencial psicológico tem sua continuidade preservada, obviamente, não havendo a manifestação de uma demência, ou seja, havendo a capacidade de reserva do sistema nervoso, considerando assim, um grande potencial intelectual na velhice. A idade social, estando ligada ao papel que o idoso pode ou deve exercer na sociedade, pode entrar em conflito com as idades psicológica e cronológica, pois, como exemplo, têm-se a aposentadoria, marcada pela idade cronológica, pode acarretar o isolamento de ser humano, antecipando, o que Silva (2005) chama de “morte social” à biológica. Percebe-se, portanto, uma análise bem mais ampla que uma graduação cronológica para classificação da velhice, pois a senescência possui peculiaridades bem diversas que podem alterar a “classificação” do indivíduo. Do tratamento ao termo velhice e às condições do idoso     Apesar de muitos afirmarem ser uma fase honrosa, a velhice não é bem amada por ninguém, nem pelos próprios idosos, haja vista a sua própria resistência em reconhecer-se ou afirmar-se velho. Silva (2005, p. 05) defende a idéia de que “se a velhice passar a ser encarada como fase normal da vida e não como marginal, haverá uma mudança significativa em relação ao papel e importância dos idosos na sociedade brasileira”. Segundo Lazaeta (1994), para esta visão contribuiu para o modelo médico tradicional ao definir o envelhecimento em termos de déficit e involução. Entretanto, em que pese o desgaste dos anos, velhice não é igual à doença e incapacidade, e é possível controlar muitos problemas de saúde comuns nessa etapa através de assistência adequada. O autor ainda afirma que é certo que o organismo humano experimenta o desgaste inerente a finitude dos seres vivos, mas esta diminuição não significa necessariamente déficit, uma vez que o organismo funciona com níveis variados de superávit ou de reserva e, o que é mais importante, existe a possibilidade de intervir para atenuar e compensar os efeitos de tal desgaste sobre a capacidade dos indivíduos de seguir desempenhado por si mesmo suas atividades cotidianas (LAZAETA, 1994, p. 59).    Segundo Magalhães citado por Silva (2005), a sociedade atual, mutante e consumista, estreita cada vez mais as possibilidades de comunicação entre o idoso e o mundo, uma vez que há um constante abandono ao passado para uma criação permanente de novas formas de vida, produção e consumo.    Dá-se aí uma importância à criação e reelaboração de uma Política voltada especificamente ao idoso, a fim de garantir-lhe uma existência humana social e digna. Isso vai muito além de uma política de sistema de aposentadorias, e deve abranger e garantir o bem estar do idoso, proporcionando, não o seu isolamento da aposentadoria, mas garantir condições para que ele continue inserido na sociedade.    A partir de 1994, começou a ser implantado um sistema legislativo com objetivo de proteger as pessoas idosas. São leis, decretos e portarias que garantiram, aos poucos, direitos como: Aposentadoria Proporcional, Aposentadoria por Idade e Pensão por Morte. Mas é importante salientar que isso não abrangia plenitude em questão aos direitos sociais do cidadão.    A Política Nacional do Idoso, através da Lei 8842/94, procura garantir a autonomia, integração e participação dos idosos na sociedade. O conselho Nacional do Idoso foi criado para se responsabilizar pela viabilização do convívio, integração e ocupação do idoso na sociedade, até mesmo, incluindo-o na participação da formulação das políticas públicas destinadas ao idoso.    Esta política nacional também busca o incentivo a pesquisas no âmbito geriátrico, normatização ao atendimento geriátrico, busca por meios de inserção do idoso na educação, inclusive à longa distância, garantir programas educacionais que visem reduzir o preconceito ao idoso; a criação de mecanismos que impeçam a discriminação e contribuam para a adequação da participação do idoso no mercado de trabalho, o desenvolvimento de condições habitacionais, seja na possibilização de aquisição, seja na própria liberdade de locomoção, que é restringida por conta das barreiras arquitetônicas que não se adéquam às condições físicas dos idosos. O estímulo à cultura, como expectador e como agente dos diversos eventos culturais. O asseguramento ao direito do idoso dispor dos seus bens e benefícios, a menos com incapacidade provada judicialmente. Todos esses critérios estão deduzidos na lei da Política Nacional do Idoso, desde 1994, embora ainda hoje, esses direitos, mesmo após a aprovação em 2005 do Estatuto do Idoso, não sejam totalmente respeitados.    Vale salientar que a velhice não torna um ser humano menos ou mais importante que os demais cidadãos, porém o caráter débil e a falta de respeito aos direitos humanos e sociais no Brasil colocam os idosos numa posição crítica, haja vista os cuidadores específicos exigidos nesta faixa etária da vida (SILVA, 2005, p. 07).    Segundo Filho (2005), percebe-se certa falência na efetuação do que a lei determina e garante aos idosos, tanto pela falta de pesquisas na área gerontológica, buscando captar e definir as diferenças, deficiências e necessidades dos idosos e da própria ausência de disciplinas específicas na formação acadêmica dos profissionais que se responsabilizarão pelo atendimento direto, ou mesmo a formulação das leis e do atendimento ao idoso, e também, percebe-se uma grande falência quanto à parcela de idosos que é atendida pelos direitos adquiridos, tanto por não estarem à disposição em todo o Brasil, quanto pela própria divulgação, o que acaba por abranger apenas os idosos mais saudáveis e sociáveis.    Portanto, há que se combater a gerofobia, assegurar um atendimento de saúde que considere as características típicas da velhice, garantir um sistema da aposentadoria básica universal, desmistificar a idéia da velhice associada à fragilidade, ao fim etc. Assim perceber-se-á que há muito para ser vivido nessa fase da vida, sobretudo no que tange ao diálogo com as gerações (SILVA, 2005, p. 08).    É considerável que o Brasil é um país cada vez mais idoso, visto a taxa de natalidade cada vez mais baixa e a perspectiva de vida cada vez mais longa. Vê-se, então a importância da melhora de condições de vida dessa população. Atividade física para o idoso: importância e objetivos     Naturalmente, ao longo da vida, o indivíduo perde massa magra ou a massa livre de gordura, o que causa redução da taxa metabólica basal. Entre os 50 e 60 anos, segundo Rahal et al. (2007), essa perda chega a 30% da força muscular, o que provoca um maior índice de fadiga, a diminuição da mobilidade articular, do equilíbrio e coordenação motora, o que aumenta a possibilidade de quedas.    A atividade física é definida como qualquer movimento corporal decorrente de contração muscular, com dispêndio energético maior do que o de repouso, exemplificada por esportes, exercícios físicos e determinadas experiências de lazer e atividades utilitárias (RAHAL et al., 2007, p.781).    Os objetivos da atividade física são a manutenção e/ou recuperação da saúde, a motivação da sociabilização e o lazer, e torna-se, assim, de enorme importância para a qualidade de vida e a preservação da independência do indivíduo idoso e na promoção de sua saúde. O exercício físico bem planejado deve provocar a melhora e a manutenção de um ou mais componentes da forma física. Segundo Rahal et al. (2007), especificamente ao idoso, a atividade física deve aumentar a reserva funcional, compensar limitações, evitar ou postergar manifestações de doenças, controlar doenças existentes, promover mudanças de hábitos, prevenir traumas e acidentes, incentivar a cidadania e a inserção social.    A falta de exercícios físicos é reconhecida como um dos maiores fatores responsáveis pelo risco às doenças não-transmissíveis.    O sedentarismo carrega consigo o mal das doenças hipocinéticas e suas repercussões em todos os sistemas e funções do organismo, como o aumento da freqüência cardíaca de repouso e a conseqüente diminuição da área de reserva funcional; o aumento da massa gorda, que além da sobrecarga do sistema músculo esquelético, está ligada ao aparecimento de doenças degenerativas em idosos, como por exemplo, o diabetes tipo II (RAHAL et al., 2007, p. 782).    Existe ainda a relação entre falta de exercícios e aumento das doenças do sistema cardiocirculatório, como hipertensão arterial sistêmica, diminuição da massa muscular, provocando assim, maior dificuldade para executar atividades rotineiras devido a própria dificuldade de manter a postura e o equilíbrio, o que conseqüentemente, provoca mais quedas.    Contudo é importante ressaltar que exercícios físicos não se restringem a uma série de exercícios semelhantes aos da academia ou à prática de atividades esportivas. Estão enquadradas aí também, atividades de lazer como dançar, andar de bicicleta, atividades laborais como jardinagem, passeio com cachorro, etc. Segundo Rahal et al. (2007), portanto, têm-se um amplo leque de possíveis tipos de exercício que podem ser inseridos na vida do idoso.    A inserção de atividades físicas na vida do idoso deve passar por uma avaliação criteriosa, que vise adequar tanto às condições do indivíduo, quanto o resultado esperado. Para tanto, utiliza-se desde questionários até exames clínicos mais preciosos para amenizar ou mesmo eximir qualquer possibilidade de distúrbio. Rahal et al. (2007, p. 782), ainda afirma que deve-se “levar em consideração a preferência do indivíduo, sua aptidão prévia, a reserva funcional, a estruturação de potencialidades e o menor risco de eventos adversos durante a atividade física”.    O idoso que iniciar qualquer atividade física deve passar por uma avaliação individualizada. Para atividades leves, muitas vezes, a submissão a um questionário de triagem, que consiga identificar a possibilidade de algum risco durante o exercício, é o bastante. Mas, para atividades moderadas, há uma série de exames como teste ergométrico, radiografia de tórax, densitometria óssea, o Doppler de corótidas, Ultra-sonografia em massas pulsáteis em abdome, entre outros, não podem deixar de ser realizados (RAHAL et al., 2007, P. 782).    Rahal et al. (2007, p. 86) afirma que “Qualquer atividade deve ser constante e prazerosa, gradual para diminuir riscos, auxiliar prováveis tratamentos, promover a motivação e satisfação”. Com isso, pode-se chegar aos objetivos esperados associados à redução na incidência de doenças crônicas-degenerativas e maior potencial de reabilitação. De acordo, ainda com o mesmo autor, “a atividade física pode ser considerada um remédio para diversas disfunções do indivíduo”. Da motivação dos exercícios físicos à obtenção de resultados     Para atingir seus objetivos de melhoramento à saúde do idoso, a atividade física deve causar prazer e bem estar, evitando assim, desconfortos, ou lesões e mantendo a continuidade do exercício, e conseqüentemente, aumentando a sua eficácia. Além da avaliação clínica para a análise do condicionamento físico do idoso, a motivação ao exercício deve ser encarada como um dos principais fundamentos para a obtenção do sucesso na execução da atividade.    Feijó citado por Lins (2007, p. 03), define motivação como “um processo que permite a mobilização de necessidades preexistentes, que se relacionam a comportamentos capazes de satisfazê-las”.    A importância de se ter conhecimento sobre quais são a motivação que levam o individuo idoso a participar de um programa da atividade física permite intervenções que estejam de acordo com os interesses dos participantes. Nesse sentido, devem contemplar as motivações relacionadas a fatores internos e externos (LINS, 2007, p. 04).    Os motivos mais percebidos entre os idosos são o prazer, a saúde e a convivência, seguido de bem-estar, diminuição das dores etc. Considerar os motivos que levam o idoso a praticar exercícios físicos é primordial na elaboração e na própria execução dos exercícios. A busca pelo prazer, bem-estar, melhoria do condicionamento, saúde e o relacionamento social são pontos que têm que ser alcançados.    É importante lembrar que mesmo em atividades em grupo, sempre deve se adequar as atividades físicas à condição individual, como quadro clínico, condição financeira, cultura etc. É necessário também, atenção ao aquecimento, para diminuir a probabilidade de contusões e acidentes. Ao vestuário, que deve ser adequado à atividade física, com protetores para quadril, palmilhas para correção de defeitos anatômicos dos pés, tênis com amortecedores, à série de alongamento ao final dos exercícios e à dieta balanceada. Todos esses itens devem ser pensados para a obtenção dos objetivos propostos, evitando a desistência e desmotivação do idoso em relação às atividades físicas.    Dessa maneira, a preservação ou melhoria da saúde, aumento da resistência e qualidade de vida, aumento da autonomia e a promoção das relações sociais serão alcançadas com o exercício físico para o idoso. Histórico da Associação do Clube da Melhor Idade Reviver da cidade de Porteirinha/MG     Conforme Terezinha Marilza Castro Silva (2009), fundadora da Associação do Clube da Melhor Idade Reviver, a instituição situa-se na cidade de Porteirinha /MG, na Rua Barão do Rio Branco, nº 148, e atende 72 (setenta e duas) pessoas, com idade igual ou superior a 60 anos. Criada pela senhora Terezinha Marilza Castro Silva, moradora da cidade de Porteirinha/MG, que há algum tempo observava que os idosos dessa cidade necessitavam de uma atividade mais recreativa, que os incentivassem a ter uma vida mais ativa e com qualidade.    A senhora Terezinha, vendo que sua mãe, Hilda Martins Pinto, deprimida pela perda do esposo, Levindo Castro Pinto, que faleceu em 1998, não hesitou em fazer a proposta a sua mãe para que a ajudasse a criar um grupo da 3ª idade, que não só a ajudaria como também ajudaria a tantos outros. Assim, a principio, foram realizadas reuniões entre os idosos, a partir de janeiro de 2001. Em 26 de março de 2002, passou a vigorar as normas da então concretizada Associação do Clube da Melhor Idade Reviver de Porteirinha/MG.    O clube tem como objetivo a inclusão do idoso na sociedade, fazer com que o idoso se desloque das suas residências e passem a ter uma vida mais ativa, elevando a sua autoestima, valorização e reconhecimento social. O Clube da Melhor Idade Reviver, comemora todo ano a festa “Rainha do Ano” , em maio, além da festa junina e de muitos outros eventos. Durante a semana, os idosos praticam atividades físicas como: alongamento, aeróbica, danças, etc. Comemora-se toda última terça-feira de cada mês os aniversariantes, realizam reuniões onde são discutidos assuntos sobre o interesse de todos, visando o bem comum e realizam atividades laborativas como: bordados, crochês e outros. Abordagem teórico-metodológica    Considerando os objetivos desta pesquisa, definiu-se que este estudo é de cunho quanti-qualitativo por ser considerado um dos mais adequados para compreender os benefícios da Atividade Física para a qualidade de vida dos idosos. Segundo Cervo e Bervian (2002), a pesquisa quantitativa prevê a mensuração de variáveis preestabelecidas para verificar e explicar sua influência sobre outras mediante análise de frequência de incidência e correlações e estatísticas.    “O método quantitativo é baseado na medida, geralmente numérica, de um grande conjunto de dados, dando ênfase à comparação de resultados e ao uso intensivo de técnicas estatísticas” (MINAYO, 1993. p. 240). Verificou-se que o estudo também apresenta as características de uma pesquisa qualitativa, em virtude de buscar a compreensão de fenômenos amplos e complexos de natureza subjetiva (DYNIEWICZ, 2007; PÁDUA, 2004).    A metodologia qualitativa é aquela que incorpora a questão do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, às relações e às estruturas sociais. O estudo qualitativo pretende aprender a totalidade coletada visando, em última instância, atingir o conhecimento de um do fenômeno histórico que é significativo em sua singularidade (MARCONI, 2001, p. 10).    Buscamos, então, registrar as atividades físicas praticadas pelos idosos do Clube da Melhor Idade de Porteirinha-MG, para isso, a pesquisa se dividiu em duas formas: sendo a primeira bibliográfica, para o enriquecimento teórico e a segunda forma sendo uma pesquisa de campo, para a comprovação da mesma na prática, bem como o enriquecimento do conhecimento. A pesquisa de campo se torna importante pelo fato de existir importância no tratamento direto com os sujeitos da pesquisa.    Quanto às questões éticas, teve-se o cuidado de seguir as recomendações da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Foi obtida autorização prévia dos dirigentes do Clube por meio de um Termo de Consentimento Livre e Informado. Foi solicitada permissão aos idosos, por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Além disso, estes foram informados que a pesquisa não acarretaria nenhum risco físico, psíquico, emocional, social ou financeiro nesta pesquisa, tanto para a instituição como para os clientes; considerando a privacidade e confidencialidade das informações e identificação do Clube e dos envolvidos nesta pesquisa.    Questionários e entrevistas foram utilizados nesta pesquisa. Foram questionados 72 (setenta e dois) idosos do Clube da Melhor Idade e dentre os mesmos selecionamos 10 (dez), os mais comunicativos e instruídos. Resultados e discussão     As questões elaboradas direcionaram-nos a três categorias principais de análise: Conceito de saúde, Percepção acerca do processo de envelhecer e Mudanças decorrentes da prática da atividade físicar. Conceito de Saúde     Saúde é um direito fundamental do homem, sendo reconhecido como o maior e o melhor recurso para o desenvolvimento social, econômico e pessoal, como também uma das mais importantes dimensões da qualidade de vida (BUSS, 2003). De acordo com Bouchard (1990), saúde é definida como uma condição humana com dimensões física, social e psicológica, cada uma caracterizada por um continuum com pontos positivos e negativos. A saúde positiva estaria associada à capacidade de apreciar a vida e resistir aos desafios do cotidiano, e, a saúde negativa associar-se-ia à morbidade, e, no extremo, à mortalidade, afirma este autor. Assim, a categoria Saúde nos levou a observar como o idoso entrevistado vê o conceito de saúde, bem como ele se sente em relação à sua saúde. Quanto ao conceito de saúde, nota-se que para o idoso, saúde vai além da presença ou não de doenças em sua vida, como se pode notar nos relatos dos entrevistados, a seguir:
“Viver com saúde é não estar sempre procurando médico; é também viver em harmonia” (J. D. M. 69 anos).“Viver pra mim, nessa idade, é não ter pressão alta e diabetes” (J. D. M. 69 anos).“É manter o Diabetes e Hipertensão controlados” (A. M. B.70 anos).    Silva (2005, p. 05) defende a idéia de que “se a velhice passar a ser encarada como fase normal da vida e não como marginal, haverá uma mudança significativa em relação ao papel e importância dos idosos na sociedade brasileira”. Em relação a esse conceito, percebe-se nas declarações dos entrevistados, resistência do idoso às doenças e às possíveis dificuldades decorrentes da idade; ao mesmo tempo, o idoso se apresenta forte e esperançoso. Quando perguntamos a respeito da presença de doenças, eles responderam:
    “Não, nada, graças a Deus! A única coisa que eu tenho é gastrite, mas estou fazendo tratamento, se Deus quiser vou melhorar” (E. M. C. 68 anos).    “Eu tenho pressão alta e colesterol e eu tomo remédio” (M. D. R. 67 anos).    “Ah... não, eu só sou hipertensa, porque é a idade né, mas não sinto mais nada” (M. H. S., 69 anos).    A saúde não pode ser reduzida a uma relação biológica de causa e efeito, pois o homem é um ser histórico e como tal, sofre influência do meio social e cultural, como afirmam Assunção, Morais e Fontoura (2002). A seguir temos exemplos de idosos que vêem a vida além dos sintomas orgânicos:     “Eu considero a pessoa com saúde, a pessoa que tem a mente mais aberta, pensamentos positivos” (E. M. C. 68 anos).    “Ah... eu considero como saúde a pessoa ter uma vida boa, feliz, ser alegre e não ter estresse, obedecer as normas do médico, alimentar bem né, não extravasar com certas alimentações para não derrubar a saúde né, e aí por diante (...)” (M. H. S. 69 anos).     Para Buss (2003), Saúde não é um conceito universal, ao contrário, varia sob distintas condições sociais. Ela é o resultado de um conjunto de fatores sociais, econômicos, políticos, culturais, coletivos e individuais, que se combinam, de forma particular, em cada sociedade resultando em comunidades mais ou menos saudáveis.    “Eu acho que saúde é a pessoa ter onde morar, água tratada, transporte, é ter as necessidades básicas, né?” (J. T. S. 73 anos).
    “Olha saúde pra mim é ter moradia, é possuir uma boa alimentação, exercícios físicos. Isso é o principal, não precisa mais do que essas coisas”, não” (V. A. S. 62 anos).    “Me alimentar bem, comer alimentos balanceados com pouca gordura e sal” (G. A. S. 67 anos).    Lima (1999) afirma que a Atividade Física tem cada vez mais representado um fator de Qualidade dos seres humanos, possibilitando-lhes uma maior produtividade e melhor bem-estar no seu dia-a-dia. Confira alguns relatos, quando perguntamos sobre as dificuldades em executar as tarefas do cotidiano:
    “Nada, dificuldade nenhuma, graças a Deus, eu faço de tudo um pouco” (P. S. O. 89 anos).    “O serviço de casa, eu não tenho ninguém que faz pra mim. Eu mesma faço tudo. Gosto das minhas coisas bem limpas. Eu não gosto nem de colocar alguém pra fazer, porque, não faz do jeito que eu gosto, então pra não passar raiva eu levanto e faço tudo” (J. D. M. 69 anos).    “Nunca tive. Com essa idade, ainda trabalho ajudando meu filho no comércio dele quando ele precisa sair para resolver alguma coisa no banco, ou até mesmo quando ele vai almoçar, e a casa dele é longe, primeiro eu cuido em casa e depois eu faço o que ele precisa” (G .A. S.67 anos).     Estudos demonstram que cerca de 25% da população idosa mundial depende de alguém para realizar suas atividades da vida diária (ANDREOTTI; OKUMA, 1999). De acordo com Silveira (2001), o sucesso do indivíduo em sua adaptação social decorre da importância das Atividades da Vida Diária (AVDs), pois estas representam vitória no desempenho das tarefas de cuidado pessoal.
    “Não, o que tiver que fazer eu faço!” (J. M. S. 71 anos).    “Não. Tem até quem faz pra mim, mas eu não deixo fazer tudo sozinha. Gosto de fazer e ensinar quando não esta do meu agrado” (A. M. B.70 anos).    “Não ter que depender de alguém quando eu for fazer algum serviço ou tiver que sair de casa. Eu, graças a Deus faço tudo sozinha” (A. M. B.70 anos).    “Só quando estou indisposta que eu não faço. Aí minha tem minha filha que faz pra mim, mas é muito raro (...)” (D. M. J. 62 anos).     A saúde vai além da presença ou não de doenças. Está envolvida também ao convívio com outros indivíduos. A idéia de aposentadoria, no seu tom negativo, remeta à idéia de isolamento (SILVEIRA, 2001), entretanto, quando perguntamos sobre saúde, pudemos notar que os idosos pensam e querem para si mesmos outra possibilidade de vida, com sociabilidade ativa, como podemos ver nos relatos a seguir:
    “Ué, saúde é viver bem, ter amigos, e conviver com todos” (G. M. J. 65 anos).    “Saúde é ter amigos, gente pra conversar (...)” (A. C. B. 70 anos).    “Eu acho que saúde é a gente estar bem com tudo e com todos” (P. S. O. 89 anos).    “Saúde é viver bem,é ter disposição para sair conversar com as amigas, participar do Clube da Melhor Idade, e conviver com todos” (D. M. J. 62 anos).    De acordo com os participantes da pesquisa, o gráfico a seguir revela-nos as alterações ocorridas na saúde dos idosos do Clube da Melhor Idade:Gráfico 1. Alterações na saúde do idoso, após participar das atividades físicas    Observa-se que 15% dos entrevistados afirmam que nada alterou em sua saúde após as atividades físicas; 85% acreditam que houve melhora na saúde. Percebe-se, portanto, a efetiva melhora, vista pela maioria dos entrevistados. Percepção acerca do processo de envelhecer    Debert (1998) afirma que a velhice tem sido vista e tratada de maneira diferente, de acordo com os períodos históricos e as estruturas social, econômica e política de cada povo. Variações essas que determinam as representações e os valores que possibilitam, ou não, a proteção e a inclusão social dos idosos, como também a qualidade das relações estabelecidas com eles. Assim sendo, a categoria Percepção acerca do processo de envelhecer analisa como os idosos do Clube da Melhor Idade se vêem.    Beauvoir (1990) afirma que os velhos continuam a se identificar com a imagem do que foram em sua juventude, mesmo se dizendo aposentados, continuam evocando lembranças, o que lhes garante a convicção de permanecerem imutáveis ao tempo, e que no entendimento da autora, é sinônimo de segurança e afirmação pessoal. Com relação e esse conceito, podemos confirmá-lo nos depoimentos abaixo:
    “Eu com setenta anos me sinto uma menina de quarenta anos eu não me troco por certas pessoas que tem trinta anos. Gosto de sair, dançar, e, quando eu começo, não quero mais parar” (A. M. B.70 anos).    “Me sinto bem, me sinto valorizada como pessoa” (J. T. S. 73 anos).    “Ué, pra mim, ter 60 anos é a mesma coisa de ter 40. Eu não me considero uma velha não” (E. M. C. 68 anos).    A percepção que o indivíduo traz sobre si mesmo reflete nas decisões sobre sua própria vida e na abertura de espaço para agir a favor de seus interesses e motivações (VOLLI, 1998).
    “Eu me sinto uma pessoa assim, eu sou uma pessoa realizadora, trabalhei muito e trabalho até hoje, tenho muito ânimo, coragem, força e parece que cada dia estou renascendo mais, quero mais, tenho... tenho garra e quero correr, trabalhar, não consigo ficar parada, quero ficar agitada” (M .H. S. 69 anos).    “Olha eu sinto! Eu sinto novo, sou um camarada que não sinto nada, me sinto muito bem” (V. A. S. 62 anos).    “Uma parte boa, outra parte um pouco doente, porque tenho hérnia de disco, mas o resto está tudo bom” (J. M. S. 71 anos).    “Bem faço tudo em casa, me divirto muito ainda” (M. A. S.68 anos). Mudanças decorrentes da prática da atividade física     A mudança que a atividade física faz acontecer na vida do idoso depende dessa percepção que ele tinha anteriormente, do significado do seu processo de envelhecimento. Nota-se que, ao passo que o idoso já tinha uma vida normal com o seu trabalho contínuo, a atividade física torna-se um elemento a mais, um complemento para a manutenção desta tranqüilidade de vida. Diante disso, pode-se observar no gráfico a seguir, a percepção dos idosos participantes do Clube da Melhor Idade, a respeito das mudanças ocorridas em suas vidas após a inclusão dos exercícios físicos em suas atividades:Gráfico 2. A percepção de mudança na vida do idoso, após executarem atividades físicas    Observa-se que 22% dos entrevistados se sentem muito satisfeitos com as mudanças, outros 22% se sentem mais motivados, 22% se sentem mais valorizados, 24% afirmam terem aumentado o círculo de amizades e 10% afirmas terem ocorrido outras mudanças. Nota-se, portanto, efetiva mudança na vida do idoso, principalmente no que tange o social e psicológico, conforme as respostas dos próprios entrevistados.    Matsudo e Matsudo (2000) afirmam que os principais benefícios à saúde advindos da prática de atividade física referem-se aos aspectos antropométricos, neuromusculares, metabólicos e psicológicos. A seguir, apresentaremos três subcategorias para uma melhor organização metodológica: mudanças relacionadas à saúde, mudanças relacionadas à autoestima, mudanças relacionadas ao convívio em grupo.    Matsudo e Matsudo (2000), reconhecem que a prática de atividades de intensidade moderada atua na redução de taxas de mortalidade e de risco de desenvolvimento de doenças degenerativas, como as enfermidades cardiovasculares, hipertensão, osteoporose, diabetes, enfermidades respiratórias, dentre outras. É o que podemos notar nos relatos abaixo:     “Houve melhora, eu era alegre, fiquei mais ainda! Danço mais! Sou mais alegre, aprendi fazer muita coisa! Teve um tempo que eu só ficava dentro de casa, chorava, melhorou bastante” (J. M. S. 71 anos).    “Eu me sinto mais disposto. A prática de atividade física aumentou o círculo de amizades” (J. T. S. 73 anos).     Em relação aos efeitos antropométricos e neuromusculares, ocorrem, segundo Matsudo e Matsudo (2000) a diminuição da gordura corporal, o incremento da força e da massa muscular, da densidade óssea e da flexibilidade.
    “Eu me considero uma pessoa ainda feliz, pois antes de participar do Clube não tinha o mesmo pique que tenho hoje” (G. A. S. 67 anos).    Os efeito metabólicos, de acordo com Matsudo e Matsudo (2000), são: o aumento do volume sistólico, o aumento da potência aeróbica, o aumento da ventilação pulmonar, a melhora do perfil lipídico, a diminuição da pressão arterial, a melhora da sensibilidade à insulina e a diminuição da frequência cardíaca em repouso e no trabalho submáximo.    A baixa autoestima está intimamente ligada a quadros depressivos. A depressão segundo Marchand (2003), é caracterizada por tristeza, pessimismo, desesperança e desespero. A pessoa depressiva, segundo ele, apresenta sintomas de fadiga, irritabilidade, retraimento e pensamentos de suicídio. As perdas afetivas, aposentadoria afastamento de atividades profissionais, sociais, familiares e dificuldades financeiras podem levar ao desencadeamento de um estado depressivo. Portanto, a probabilidade do idoso apresentar um quadro depressivo pode ser maior do que em um jovem.    Assim, segundo o autor já mencionado, a necessidade de uma vida ativa, a qual influencia no tratamento e prevenção não só da depressão, mas também de demais doenças, proporciona melhoria do bem estar geral de quem envelhece. As atividades físicas contribuem para evitar ou diminuir a incidência de quadros depressivos nos idosos como podemos notar nas declarações abaixo:
    “Nem eu acredito o quanto houve mudanças em minha vida na autoestima, depois que comecei a fazer os exercícios no Clube!” (D. M. J. 62 anos).    “Teve uma mudança de comportamento, porque quando você convive em grupo, você aprende muito mais, hoje converso mais com as pessoas, dou muita risada! Teve uma mudança de comportamento” (V. A. S. 62 anos).    Na dimensão psicológica, Matsudo e Matsudo (2000) afirmam que a atividade física atua na melhoria da autoestima, do auto-conceito, da imagem corporal, das funções cognitivas e de socialização, na diminuição de estresse e da ansiedade e na diminuição do consumo de medicamentos. É o que observamos nos depoimentos seguintes:
    “Hoje houve uma mudança muito grande em minha vida, até meus filhos perceberam isso” (J. D. M. 69 anos).    “Houve mudança de seis anos pra cá, de 100%. Adorei e amei, estou lá [no Clube Melhor Idade] até o último dia da minha vida!” (M. H. S. 69 anos).    “Todo dia eu agradeço a Deus por ter me colocado nesse caminho, pois minha vida melhorou muito.” (J. D. M. 69 anos).    “Eu me considero uma pessoa muito diferente de antes, pois sou outra pessoa mudança houve sim” (A. M. B.70 anos).     Segundo Sharkey (1998), idosos que praticam atividade física encaram cada momento como um momento para ser vivido, e quando se sentem melancólicos ou deprimidos, reagem. Pela significância, gravidade e danos que acarretam a depressão, em muitos estudos, está sendo apontada como um problema de saúde pública; recentemente a atividade física vem sendo recomendada como auxiliar no tratamento desses transtornos (SILVEIRA, 2001). Com relação ao convívio social, o Clube atua positivamente na vida dos idosos, conforme as afirmações dos entrevistados:
    “Eu encontro com minhas amigas aqui, enquanto antes nos era muito difícil de nos encontrar, faço um bordado que eu nunca tinha aprendido fazer” (G. A. S. 67 anos).     O sentimento de pertença e integração que está associado à segurança no sentido de referir-se também à integração com outras pessoas, contribui para o idoso sentir-se compartilhante e satisfeito (VOLI, 1998).
    “Eu era uma pessoa muito sozinha, mas depois que eu comecei a conviver com pessoas da minha mesma idade comecei a perceber que a vida tem muito sentido bom, podendo participar de coisas boas poder não pensar em pequenas coisas e que a gente não é capaz de realizar outras coisas que nos dê prazer” (D. M. J. 62 anos).     O sentimento de pertença e integração, com relação ao contato com as outras pessoas, oportuniza ressignificar a autoimagem à autoestima (SANTANA; SENA, 2003 apud GÁSPARI; SCHWARTZ, 2005).
    “Ué, eu acho que ficou melhor a minha vida, eu gosto de dançar, e ali dança muito mesmo. A vida da gente melhora muito na melhor idade” (E. M. C. 68 anos).    Stella et al. (2002) enfatizam que a prática de atividade física em grupo eleva a autoestima do idoso, contribui para a implementação das relações psicossociais e para o reequilíbrio emocional. Ainda a respeito do tema, podemos perceber nos gráficos a seguir, o nível de mudança positiva alcançada com a inserção de prática de exercícios físicos na vida dos idosos participantes do Clube Melhor Idade.Gráfico 3. Avaliação do idoso sobre sua saúde: antes de participar das atividades     De uma forma geral, quando perguntamos aos idosos como avaliam sua saúde antes de participarem das atividades físicas, 32% avaliam como regular, 56% como boa e somente 12% como ótima.Gráfico 4. Avaliação do idoso sobre sua saúde: depois de participar das atividades    O gráfico acima mostra que quando perguntamos aos idosos do grupo sobre a avaliação da saúde depois da prática de atividades físicas, 23% avaliam como boa, 66% como ótima e apenas 2% como regular. Desta forma, podemos perceber a importância do valor da inserção da atividade f

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